Pneumonia
Prevenção faz toda a diferença
O Ministério da Saúde do Brasil não tem em seu calendário oficial a vacinação antipneumocócica. A orientação de se vacinar apenas grupos de risco já funciona desde a década de 80. A medida, recentemente divulgada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que inclui no calendário da vacinação antipneumocócica crianças com até dois anos de idade tem sido alvo de reflexões.
Segundo Dr. Arnaldo Noronha, pneumologista do Hospital Pedro Ernesto no Rio, a pneumonia é a inflamação do tecido pulmonar devido a uma infecção. O especialista esclareceu que uma pessoa pode ter inflamações de vários tipos.
“O próprio organismo produz anticorpos contra ele mesmo. Uma pessoa pode ter o seu pulmão inflamado porque aspirou algum gás ou porque aspirou ácido fluorídrico de vômito por exemplo”, afirmou.
O médico explicou ainda que a inflamação não é reconhecida como pneumonia, mas como pneumonite. Esclareceu que as viroses, como gripes e resfriados, podem afetar nossos mecanismos de defesa que temos na traquéia e nos brônquios.
“As células que compõem a mucosa, que é o revestimento interno dos brônquios, têm uns `pelinhos´ microscópicos. Esses pelinhos (cílios) se movem produzindo um muco que forma uma capa feito uma goma em cima deles”, explicou.
O médico esclareceu que isso acaba funcionando como uma esteira rolante e que qualquer micróbio, poeira, ou poluente grudam no muco e os cílios, se movendo, impulsionam esses corpos estranhos em última análise na direção superior, sempre de baixo para cima.
“Esse é o primeiro mecanismo de defesa mais importante da via respiratória que se chama transporte mucociliar”, informou.
De acordo com o pneumologista, um resfriado comum costuma afetar as vias aéreas superiores, mas uma gripe pode inflamar a mucosa da traquéia, por exemplo, e comprometer esse transporte mucociliar.
“O que acontece é que uma bactéria que antes seria eliminada facilmente pode ficar presa na mucosa. A bactéria é um bichinho que se reproduz rapidamente. Se ficar estacionada em um cantinho sem ser incomodada, multiplica-se e vira uma colônia. Essa colônia de bactéria que adere ao tecido promove uma infecção”, justificou.
Tabaco
Segundo o Dr. Arnaldo Noronha, o cigarro também é um outro forte mecanismo para o aumento da probabilidade de infecção respiratória.
“Uma criança que convive em um ambiente onde há muitos fumantes tem maior incidência de infecção respiratória. Essas infecções tanto podem ser banais como podem se transformar em uma pneumonia.”
Evitando a doença
O especialista alerta sobre a importância de se ter uma vida mais saudável. “Vida mais sadia implica evitar o fumo, ingerir uma quantidade normal de proteínas, calorias, vitaminas e hidratar muito bem o organismo evitando bebida alcoólica”, disse.
De acordo com pesquisas, toda alimentação em que há uma quantidade grande de antioxidantes e medicamentos que agem contra os chamados radicais livres é boa para prevenir infecção, tumor e o envelhecimento.
“Alimentos que contêm flavonóides, carotenóides e vitaminas aumentam a quantidade de substâncias antioxidantes no organismo. Uma pessoa normalmente nutrida está protegida; sendo assim, quem se alimenta bem está fazendo o dever de casa”, garantiu.
O médico também argumentou que a fome é um problema mundial e que os acidentes ambientais deixam uma grande parte da população desabastecida.
“Esse fator pode, em um dado momento, gerar condições de déficit nutricional que propiciam infecções, pois qualquer bactéria pode causar uma pneumonia,” afirmou.
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