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O que leva os famosos à perdição?
 
Fichados

Por Guilherme Bryan


Fama é sinônimo de confusão com a polícia para muitos astros. Na maioria das vezes, eles acabam presos por dirigir em alta velocidade ou porte de drogas, mas há casos de agressão e até pedofilia

Violência doméstica e sexual, porte de drogas e direção perigosa em alta velocidade ou sob efeito de álcool, são os principais motivos que levam astros do cinema e da música a serem presos e, consequentemente, terem a foto, nada glamourosa, da ficha da delegacia estampada em jornais e revistas – a polícia norte-americana tem o costume de divulgar as fotos dos famosos detidos.

O caso mais recente é o do ator Charlie Sheen, de 44 anos, que passou o Natal do ano passado na cadeia por ter agredido e ameaçado a mulher, Brook Mueller. Sheen foi liberado após pagar fiança de US$ 8,5 mil (R$ 15 mil). Agredir a namorada Ekaterina Ivanova também levou o guitarrista da banda Rolling Stones, Ronnie Wood, de 62 anos, à delegacia no dia 3 de dezembro. Os companheiros de grupo, Mick Jagger e Keith Richards, já haviam sido presos, em 1972, por agressão a um fotógrafo e a dois policiais no aeroporto de Rhode Island, nos Estados Unidos. Jagger foi detido outras duas vezes, em 1967 e 1970, por porte de drogas.

Mas nenhum caso repercutiu mais na mídia em 2009 do que a prisão do rapper Chris Brown, que agrediu a namorada, a cantora Rihanna, de 20 anos, em fevereiro do ano passado.

O rosto da bela artista cheio de hematomas chocou o mundo. Para ser libertado, ele pagou US$ 50 mil (R$ 91 mil). “Estou comprometido a sair disso como uma pessoa melhor”, declarou em comunicado divulgado pela internet no dia 15 de fevereiro.

Falecido em 2006, o cantor James Brown é uma das celebridades que mais foi presa. Aos 17 anos, ele foi levado para um reformatório por assalto à mão armada. Desde então, foram duas acusações por agressão, duas por consumo de drogas, uma por assédio sexual, outra por estupro e espancamento, e mais uma por não pagar a pensão das filhas.

Atualmente, a cantora britânica Amy Winehouse é a celebridade que mais vem atraindo fotógrafos e jornalistas em busca de casos policiais envolvendo confusões com famosos. Em outubro de 2007, ela foi multada em US$ 715 (R$ 1,3 mil) após ser encontrada com maconha na Noruega e, em 25 de abril de 2008, apresentou-se voluntariamente à polícia depois de agredir dois homens na Inglaterra.

Outro velho conhecido das delegacias é o ator Robert Downey Jr., detido três vezes (1999, 2000, 2001), todas elas por posse e uso de drogas. O professor do departamento de Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Hélio Deliberador, avalia o motivo de tantos famosos se envolverem nesse tipo de escândalo: “De maneira genérica, a fama exerce sobre a pessoa um grande estresse, resultante da permanente exposição, o que pode ocasionar distúrbios psiquiátricos, que vão do exibicionismo à depressão. Muitas celebridades também têm a fantasia da onipotência que pode levar à ideia de impunidade ou de autorização para qualquer tipo de comportamento.

Uma saída é não abdicar da vida privada.”Direção perigosa
E tanta excentricidade pode custar caro para muitos artistas, principalmente para aqueles que pisam no acelerador quando estão sob o efeito de drogas e álcool, o crime mais comum entre os famosos. A socialite Paris Hilton, herdeira da rede de hotéis Hilton, já foi parada pela polícia rodoviária pelo menos três vezes, sendo que na primeira delas, em setembro de 2006, foi condenada a ter aulas educativas, pagar multa de US$ 1,5 mil (R$ 2,7 mil) e cumprir 3 anos de condicional, a qual violou no ano seguinte, pegando 45 dias de prisão, dos quais cumpriu só 23, pois teve a pena reduzida. “Sou uma nova pessoa. Costumava agir como uma boba, mas não acho mais isso legal”, afirmou dias antes de sair de trás das grades.

Outra celebridade que foi levada para a cadeia por direção perigosa foi Nicole Richie, filha do cantor Lionel Ritchie, que passou exatos 82 minutos na prisão em dezembro de 2006, após ser flagrada com heroína e dirigindo na contramão. Mas uma das fotos mais famosas de astros fichados pela polícia é a do ator Nick Nolte. Em 2002, ele foi detido na Califórnia por conduzir seu carro drogado e alcoolizado. Mesma situação foi enfrentada pelos atores Mel Gibson, em 2006 e Kiefer Sutherland, em 2007. Até mesmo o magnata e fundador da Microsoft, Bill Gates, já foi fichado na delegacia por violação no trânsito.

“Uma celebridade tem que estar ciente que terá uma vida pública e, por isso, precisará cuidar da própria imagem. Já as empresas que a contratam, até pela quantidade de casos negativos, deveriam se precaver, em contrato, com relação aos riscos que correm.

Afinal, elas querem se associar a alguém capaz de divulgar uma marca de forma positiva e não que, ao se expor de maneira inadequada, possa destruí-la”, afirma Sylvia Maria Mendonça do Amaral, advogada especializada em indenizações e Direito Civil.

Apesar de ter sido inocentado em 2005, o cantor Michael Jackson, morto no dia 25 de junho do ano passado, ficou com a imagem de popstar manchada por ter sido fichado pela polícia, em novembro de 2003, acusado de pedofilia por envolvimento com um menino de 13 anos. Muito comentada também foi a condenação a 10 anos de prisão do ex-lutador de boxe norte-americano Mike Tyson, em 1992, por estuprar a ex-miss Desiree Washington. Em 2006, ele foi preso novamente por dirigir embriagado.

Em 1995, o ator inlês Hugh Grant estampou a capa de todas as revistas de celebridades.

Ele foi flagrado pela polícia tendo relações sexuais com uma prostituta em local público e acabou preso.
Nesse mesmo ano, no denominado “julgamento do século”, o ex-astro de futebol americano O. J. Simpson foi condenado a pagar indenização de US$ 33,5 milhões
(R$ 61 milhões) pela morte, a facadas, da ex-esposa Nicole Brown e do amigo Ronald Goldman. Em setembro de 2007, aos 61 anos, ele foi preso por roubo e sequestro num hotel-cassino e, meses depois, foi condenado a 33 anos de prisão.

O ator Christian Bale, protagonista de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008), também ficou com a imagem abalada após ser acusado de agredir a mãe e a irmã em um hotel na Inglaterra, em julho de 2008.

“A prisão dos famosos ganha muito destaque na mídia até em função de serem muito idealizados. Por isso, as celebridades deveriam tomar cuidado para não confundir identidade pessoal com imagem profissional e estar cientes de que o sucesso é efêmero, evitando decepções”, analisa o psicoterapeuta Geraldo Possendoro, professor do curso de especialização em Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).